Editorial Tatuí N.6

por Tatuí

Esta Tatuí no 6 foi concebida em torno da discussão sobre arte e política. Seguindo a natureza intrincada da relação entre ambas, este número traz uma teia de ideias e textos absolutamente polissêmicos. Além de sintoma da diversidade de enfoques e posicionamentos ideológicos dos autores que seguem nas próximas páginas, parece-nos que esta edição personifica um nó ainda maior, aquele referente a uma geração que tem crescido sob uma pesada (e obscura?) nuvem de ideologias e sistemas sócioeconômicos – com suas respectivas construções estéticas – conflitantes e, em certa medida, aparentemente falidos (ou ao menos confessadamente em crise).

Faz-se evidente o complexo espectro de pensamentos, protestos, “revoluções”, reformas, mercados, manifestos, greves, guerras, terrorismo, cracks… Diante do qual nos sentimos desencontrados. Ainda assim, mesmo perante tantos fenômenos/ações que parecem demonstrar o estado de incomunicabilidade ideológica no qual aparentemente vivemos e ao qual supostamente estamos condenados, recai sobre nossa geração o peso de, digerindo a história política da humanidade, buscar traçar “diretrizes” flexíveis, pacíficas, eficientes e sustentáveis para as formas de organização social do século vindouro.

Em meio a tal desafio – adensado, por exemplo, pela ideologia da responsabilidade social, que nos cerca dos impostos ao terceiro setor – colocamo-nos ainda a tarefa de produzir arte, seja lá o que isso for. Nesse panorama de desolação e desatino ideológico, talvez comunguemos, todavia, da impressão de que ser artista nessas circunstâncias é estar ciente da comodificação de nossa arte, cuja força entrópica inaugura o século XXI já muito desgastada. Tal consciência da atual condição do artista – que insistentemente debatemos em ateliês, bares e instituições – tem de alguma forma nos colocado em constante estado de alerta crítico diante das coisas, do mundo, e de nós mesmos. Há uma ansiedade por encontrar pistas que nos façam vislumbrar possibilidades de uma atuação sócio-política mais contundente e programática, refletida num processo de reorganização social em sentido ampliado e específico, perante uma sociedade, ou um dado campo da arte.

É provável que esse estado de alerta se faça evidente nos textos desta Tatuí no 6, marcados por um incessante esforço de auto-crítica. A sirene não foi ainda acionada, contudo.

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