Mais um SPA, e a Tatuí retorna à sua proposta originária de desenvolver uma crítica de imersão – situação em que todos os nossos sentidos se comprometem, apaixonadamente, a perceber, absorver e analisar objetos, ações, ambientes de arte, evitando a tradicional concepção de distanciamento crítico. O que se quer é um envolvimento vivencial, quiçá um engajamento ético com a produção de arte: a máxima empatia possível.
São duas semanas de encontros, embates, diálogos com artistas e obras que, por conta do curto espaço de tempo disponível para a elaboração dos textos que a eles se referem, impõem uma dinâmica de pensamento que acaba por transformar o processo de feitura da crítica de arte numa pesquisa muito mais experencial do que técnico/teórica. Dessa forma, ao optarmos por uma outra metodologia, alteram-se os parâmetros habitualmente utilizados nas análises acerca da arte.
Não é para menos que ao retornar a esses textos percebemos o quanto estão claramente entranhados das vivências de seus autores, que assumem, sem receios, o caráter subjetivo das análises críticas, sobretudo, das imersivas. Ainda que se corra o eterno – e grave – risco de ser por demais passional, o que acreditamos valer é a disposição de permitir que sejamos tomados por sentimentos e sensações que, ainda que inatos a nós humanos, são por vezes camuflados por uma crítica que se quer cientificista.
Assim, esperamos que nossos leitores – uma vez conscientes da forma através da qual foram escritos os textos desta terceira Tatuí – possam, por sua vez, posicionar-se criticamente. Nossa maior intenção é promover o debate e estimular a criticidade.
Por fim, agradecemos aos colaboradores que, gentil e imersivamente, contribuíram para a viabilização desta publicação, bem como à Prefeitura do Recife que, através do SPA, continua a incentivar este trabalho.


