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	<title>Revista Tatuí &#187; Renata Nóbrega</title>
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		<title>121 com 149: o 11 de setembro se refez no ‘Canadá’</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 23:07:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Nóbrega</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatuí 1]]></category>

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		<description><![CDATA[Já pensando em desistir do acontecimento que, possivelmente, movimentaria a valer um dos eixos centrais e mais movimentados do Recife – avenida Conde da Boa Vista, nº 149 – resolvo telefonar para saber. Ao telefone, ouvi: – Venha, venha, atrasou e ainda não começaram a rolar as projeções. Pois é, devo confessar que, além do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já pensando em desistir do acontecimento que, possivelmente, movimentaria a valer um dos eixos centrais e mais movimentados do Recife – avenida Conde da Boa Vista, nº 149 – resolvo telefonar para saber. Ao telefone, ouvi: – Venha, venha, atrasou e ainda não começaram a rolar as projeções. Pois é, devo confessar que, além do cansaço ordinário de um final de segunda-feira, lembrei que as projeções estavam agendadas para 18:00, daquele dia 11 de setembro de 2006.</p>
<p>Com a estimulante notícia, por volta das 19:15min, fiz uso do primeiro retorno que se apresentou – eu estava em outro grande eixo, que liga o centro da cidade à zona norte, na avenida Norte, mais precisamente na metade de sua extensão.</p>
<p>Nos 15 minutos que se seguiram, pensei um pouco sobre as minhas expectativas quanto ao que se me aproximava: ‘Cinema Vertical nº 1: Edifício Canadá’. Não restava dúvida de que aquela data em especial remetia a um evento, por assim dizer, cinematográfico e, indiscutivelmente, de abalos verticais. Em todo caso, logo me desliguei dessa idéia. Apesar de ser outro 11 de setembro, cinematográfico e vertical, tomei outras bifurcações digressivas.</p>
<p>A excursão mental agora pedia parada a qualquer dos coletivos que faziam o trecho subúrbio-cidade e chegava, antes mesmo de minha matéria, ao ponto de projeção. Antes do telefonema, eu não sabia exatamente em que altura da avenida se daria o evento, mas fui informada que seria quase defronte à agência do Bradesco S/A. Agora perfeitamente localizada, não foi problema para que o meu passeio mental, que tomara um ‘Avenida Norte (Macaxeira)’, pedisse parada nas imediações da Praça Adolfo Cirne – minha velha conhecida – e seguisse ao local do Cinema Vertical, até então imaginário, que ficaria a duas ruas (paralelas) dali&#8230; Mas, antes mesmo de pensar um pouco mais quanto às minhas ditas expectativas em relação ao trabalho, as quais certamente restariam atendidas se a verticalidade estivesse para além da simples referência à morfologia do espaço urbano, um susto! O sinal fechou de repente e, à velocidade da luz, eu já estava (matéria e mente) prestes a adentrar na Rua da União, perpendicular à avenida Conde da Boa Vista e também endereço do acesso posterior do MAMAM, onde estacionei.</p>
<p>De recepção, uma quase desanimadora e fina garoa, precipitação típica de final de tarde e início de noite na localidade quente e úmida em que vivemos. Os transeuntes, que naquele horário já se deslocam com certa agilidade para alcançarem as paradas de ônibus o mais rápido possível, com o batismo da natureza sobre as suas cabeças, buscavam seus destinos com uma obstinação ainda maior. Enquanto isso, a despeito da chuva, segui calmamente em busca de mais um feito das artes visuais contemporâneas do SPA 2006.</p>
<p>Já ao alcançar a “via pública urbana ampla” (para não repetir o vocábulo avenida), deparei-me com quatro telas projetadas na fachada lateral de um edifício, com imagens pouco definidas. Talvez pouco definidas apenas para mim que, não obstante estivesse ali realmente para ver aquele trabalho e, digamos, ‘imergir’, a princípio me pus a procurar os conhecidos que, ao telefone, informaram da existência de uma marquise no prédio ao lado daquele onde estavam as imagens. Cruzei o tráfego e adentrei no edifício nº 121. Subi dois lances de escada e ao chegar no apartamento 103 soube que era preferível assistir a tudo da rua mesmo.</p>
<p>Nos segundos que me reconduziram ao espaço público, cá com os meus botões (a menos ou a mais), percebi que eu já estava perdendo o ocorrido e, o que é pior, o ocorrido de lá de baixo, da avenida por onde eu cruzara. De fato, não me importava ali apenas a imagem, pois, concluímos eu e os tais botões, as minhas expectativas se encontravam também e principalmente nas discussões acerca das relações arte/público e arte pública.</p>
<p>Posicionei-me sob a marquise oposta e pus-me a ‘imergir’. Aliás, acrescente-se, “Super Útil” era o nome fantasia do estabelecimento comercial de cuja marquise me utilizei.</p>
<p>Permaneci por cerca de 40 minutos e me foi quase impossível despertar da imersão. Se de início as imagens pareceram soltas e o qualificador ‘vertical’ ficava restrito ao suporte utilizado na projeção, no desenrolar dos acontecimentos, a multiplicidade sensorial foi apontando alguns dos muitos caminhos.</p>
<p>Pessoas que, no dia a dia, estão ali no mesmo horário e, em geral, com a vista embaçada pelo cotidiano, espantavam-se com o ocorrido. De súbito, uma senhora de seus quarenta e poucos expressou o pensamento em voz alta: – Eita, é telão é?!. Um casal de mesma faixa etária revezava entre atender visualmente os sons de ônibus que se aproximavam (no receio, acredito, de perderem sua condução, que vinha do lado contrário ao do cinema) e curtir uma visão do inusitado. Alguém, quando apareceram imagens um tanto incendiárias nas telas, gritou: – Fogo! Fogo!</p>
<p>Ao longo do tempo, divertindo-me com esses espantos de quebra do cotidiano daquelas pessoas, fui eu também tomada pelas imagens que, ‘eureca’, tinham um fio condutor, e ele era também vertical. Uma das integrantes do grupo havia esclarecido que as imagens tinham um conteúdo temporal e que este acontecia verticalmente, mas que, por falha do pessoal contratado para projeção, as imagens estavam repartidas em quatro quadros e essa relação de seqüência não estava tão evidente quanto deveria. A partir de então, acompanhei algo que já me era indiciário, mas que só com essa informação se fez para mim conclusivo: imagens em cores que migravam verticalmente de um quadro para outro; espécies de bolhas (de água ou de fumaça) que recebiam como que tiros e, uma a uma, estourava-se em ordem de atingimento; chamas que se espelhavam e se reespelhavam; corpo dançarino, tanto parcelado entre os quadros, quanto em seqüência irreal naqueles mesmos quadros, em movimentos que me remeteram ao ‘break’; uma boneca em chamas. Enfim, até onde pude discernir, hipnotizei-me.</p>
<p>Fui despertada por uma prudente observação: – Vamos que a chuva está engrossando.</p>
<p>No regresso, não mantive o deambular vagaroso da chegada, mas mesmo correndo de marquise em marquise (todas “Super Úteis”) até alcançar o veículo, às 20:20min., percebi que o prejuízo técnico da execução do projeto (seja pelas telas partidas em quatro, ou pelo ‘pifar’ de um dos projetores) não atingiu a relação obra, público e espaço público. Talvez tivesse evitado a minha imersão-hipnose, mas eu não o permitiria.</p>
<p>A noite recifense do onze de setembro próximo passado verticalizou o cinema e horizontalizou o acesso&#8230; E a chuva ainda duraria por um bom tempo&#8230;</p>
<p align="left"> </p>
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		<title>Muitas e poucas</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 22:27:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Nóbrega</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatuí 1]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitas e boas
Se “figurinha repetida não completa álbum”, é indiscutível que “piada repetida, quando bem contada, é sempre de fazer rir”.
Foi assim que me senti ao ter acesso aos panfletos do “Humor Terapia”. Lá contavam os “Primeiros Socorros Contra Momentos Desconcertantes – PSCMD”. Não são poucas as ‘tiradas’ engraçadas acerca dos, digamos, ‘híbridos contemporâneos’. Na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Muitas e boas</strong></p>
<p>Se “figurinha repetida não completa álbum”, é indiscutível que “piada repetida, quando bem contada, é sempre de fazer rir”.</p>
<p>Foi assim que me senti ao ter acesso aos panfletos do “Humor Terapia”. Lá contavam os “Primeiros Socorros Contra Momentos Desconcertantes – PSCMD”. Não são poucas as ‘tiradas’ engraçadas acerca dos, digamos, ‘híbridos contemporâneos’. Na crista da onda, o ‘deslocamento do sujeito’, o ‘local e o global’, a ‘nebulosa pós-moderna’, dentre outros. São construídos discursos referentes às produções visuais dos nossos dias que, mesmo sob sólidos e fundados pilares de racionalidade e empirismo, é impactante até para ‘iniciados’, os quais não deixam de rir de uma nova velha boa piada bem contada sobre o estranhamento (vocábulo também na crista da tal onda) dos dias em curso.</p>
<p>O panfleto, trazendo didáticas ilustrações ‘quadrinescas’, introduzia-se ao transeunte pelos dizeres: “prestará os primeiros socorros aos leigos em artes plásticas, já que essa semana estará acontecendo o SPA, a Semana de Artes Visuais do Recife”.</p>
<p>De modo descontraído e despretensioso me chegaram as “instruções” ali trazidas. Dei-me a gargalhar, pois, pela qüinquagésima centésima primeira vez ria de mim mesma, recordando de muitos momentos (passados, presentes e certamente futuros).</p>
<p>Por fim, uma advertência que não poderia ser outra: “O Humor Terapia adverte: Os primeiros socorros são apenas a primeira ajuda a ser dada a vítima. Eles servem para aliviar a dor e estabilizar o estado da pessoa, mas não servem como tratamento ou cura. Se os sintomas persistirem, procurar o artista mais perto de você”.</p>
<p>Perfeito! Ainda mais quando a cura certamente viria nos próximos séculos com a pílula “to understand contemporary art”, que, aliás, já existe e, ao menos a que eu conheço, é produção de uma artista contemporânea canadense, cujo nome não recordo. Mas podem perguntar a Moa, ele conhece esse trabalho.</p>
<p><strong>Poucas, mas não sei se boas</strong></p>
<p>Já o ativismo político deixou muito a desejar. Parece que o mérito mesmo ficou por conta do ‘Desativismo Político’, de Lia Letícia. É que, recordando das indicações selecionadas pelo SPA 2006, percebi como me frustrei com ‘Politicagem no Recife’, de<em> Malysse e Novaes. Na programação oficial do evento eu havia lido a seguinte sinopse: “a</em>o se candidatar a uma campanha artística, MALYSSE (20) contra NOVAES (07), colam em diversas paredes lambe-lambes para serem deixados na cidade durante o período pré-eleitoral, em diferentes bairros. Na construção visual do trabalho, as cores, as caretas, os gestos expressivos e os slogans invadem num instante a mente do público”.</p>
<p>Realmente, de duas uma: ou eu habitei a cidade em um universo paralelo aos ‘gestos expressivos e slogans que invadem a mente do público’, ou é porque não deu mesmo. Não presenciei qualquer distribuição ou afixação de cartazes. E, acrescente-se, por falta de cartazes é que não foi, pois estavam (aos montinhos) no chão do hall do Edifício Western&#8230; Pareciam implorar uma divulgação. Bom, desculpem a franqueza, mas, se houve algum problema de percurso na execução, não fiquei sabendo, nem eu nem ninguém a quem eu perguntei.</p>
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