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	<title>Revista Tatuí &#187; Grupo GIA</title>
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		<title>A vida, às vezes, fica melhor assim</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 05:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Grupo GIA</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatuí 7]]></category>
		<category><![CDATA[Flutuador]]></category>

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Como integrante do GIA – Grupo de Interferência Ambiental – devo confessar que não é fácil escrever sobre o grupo, suas ações e objetivos. Estou tão submersa no “mundo do GIA” que talvez fosse mais fácil escrever a seu respeito com um certo distanciamento, como fazem nossos colegas pesquisadores, artistas visuais, críticos, etc. Talvez, dessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Como integrante do GIA – Grupo de Interferência Ambiental – devo confessar que não é fácil escrever sobre o grupo, suas ações e objetivos. Estou tão submersa no “mundo do GIA” que talvez fosse mais fácil escrever a seu respeito com um certo distanciamento, como fazem nossos colegas pesquisadores, artistas visuais, críticos, etc. Talvez, dessa forma, eu perceberia certas sutilezas e peculiaridades que passam despercebidas por nós, integrantes do grupo. Minha visão será sempre demasiado parcial e apaixonada&#8230; Por outro lado, após 6 anos atuando junto ao GIA, acho que já possuo alguma bagagem que me permite fazer relatos sobre nosso </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>modus operandi</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">, nossas alegrias e frustrações provenientes de nossa busca em questionar a Arte e suas dimensões públicas.</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Em nosso dia-a-dia, nossas ações são discutidas e lapidadas por longas conversas. Não foi diferente com as ideias presentes neste texto. A ação coletiva se faz presente em todas as ativi</span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff">dades do grupo e, de fato, essa é uma tarefa árdua na maioria das vezes, já que os seis integrantes</span></span></span></span></span><sup><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff"><a name="sdfootnote1anc" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote1sym"><sup>1</sup></a></span></span></span></span></span></sup><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff"> do GIA possuem repertórios e opiniões divergentes. Nosso maior desafio, atualmente, é encontrar o denominador comum de nossas ideias e vontades. Há um ponto, porém, com o qual todo o GIA concorda: é preciso repensar o espaço público e a forma como a arte dialoga com seus habitantes. Quando digo “espaço público”, não me refiro apenas às praças, ruas, becos, etc., mas também às relações subjetivas que nele se estabelecem, algo que remete à psicogeografia situacionista</span></span></span></span></span><sup><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff"><a name="sdfootnote2anc" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote2sym"><sup>2</sup></a></span></span></span></span></span></sup><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff">, com suas devidas adaptações.</span></span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Nesse texto, pretendo esboçar alguns relatos sobre o </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">, uma das últimas ações realizadas pelo GIA. Esse trabalho foi escolhido por colocar em evidência algumas reflexões a respeito do uso do </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>bem público</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> e suas implicações, além das relações sociais estabelecidas a partir de movimentações artísticas na cidade. Além disso, a intervenção ilustra as diferentes formas possíveis de contato entre o GIA, as instituições artísticas “oficiais” e o público.</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Ao lado do Museu de Arte Moderna da Bahia existe uma comunidade carente, entre tantos outros aspectos – saneamento básico, por exemplo –, de lazer e atenção: a comunidade do Unhão. Por ironia do destino, ela se localiza não apenas do lado de uma das instituições artísticas mais prestigiadas de Salvador – o MAM –, como também em frente a um empreendimento imobiliário milionário da cidade: a </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Morada dos Cardeais</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">, prédio luxuoso e local de morada de conhecidos artistas da cena nacional. Ironicamente, tanto a comunidade do Unhão, quanto os moradores da </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Morada dos Cardeais</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">,</span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> podem usufruir de uma das vistas mais belas da cidade, a Baía de Todos os Santos. </span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Em ocasião do </span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>QG do GIA</em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> realizado no Museu de Arte Moderna da Bahia em maio de 2008 (</span></span></span></span><span style="color: #0000ff;"><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.qgdogia.blogspot.com/"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">www.qgdogia.blogspot.com</span></span></span></a></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">), o grupo desenvolveu com os moradores da comunidade do Unhão a montagem do </span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">, uma plataforma flutuante (cuja estrutura é feita de garrafas </span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>pet</em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> reutilizadas) que fica ancorada em determinada praia, à disposição do público. É um espaço de convivência em pleno mar. Em sua primeira versão, portanto, o </span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> ficou ancorado na Baía de Todos os Santos, sendo prontamente aproveitado pelos moradores da redondeza. Os momentos de lazer e festa que essa “intervenção” proporcionou aos seus fruidores ultrapassaram as implicações conceituais que o GIA tinha formulado: esses momentos eram, sem dúvida, mais importantes do que a função inicial que o grupo tinha planejado para o </span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">.</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Comunidade do Unhão e GIA usufruindo do Flutuador, ancorado na Baía de Todos os</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Santos, em frente ao Museu de Arte Moderna da Bahia e à comunidade adjacente.</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">(Foto: Mark Dayves)</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center"><span style="color: #ff0000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">[?]</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="center">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center"><span style="color: #ff0000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Cidadão pratica Ioga no Flutuador (Foto: Solange Farkas)</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="center">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Uma “zona liberta” se apresenta em pleno mar como uma Zona Autônoma Temporária, conceito desenvolvido por Hakim Bay. O autor aponta:</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; MARGIN-LEFT: 4.13cm" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff">Devemos perceber que todos esses eventos são, de certa forma, “zonas libertas”, ou pelo menos TAZs em potencial. Seja ela apenas para poucos amigos, como é o caso de um jantar, ou para milhares de pessoas, como um carnaval de rua, a festa é sempre “aberta” porque não é “ordenada”. Ela pode até ser planejada, mas se ela não </span></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em><span style="BACKGROUND: #ffffff">acontece </span></em></span></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff">é um fracasso. A espontaneidade é crucial.</span></span></span></span></span><sup><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="BACKGROUND: #ffffff"><a name="sdfootnote3anc" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote3sym"><sup>3</sup></a></span></span></span></span></span></sup></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; MARGIN-LEFT: 4.13cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Essa anarquia foi levada às últimas conseqüências em uma segunda experiência com o </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> em janeiro de 2009. A plataforma flutuante foi deslocada para o Porto da Barra, um dos pontos turísticos de Salvador: bela paisagem, bela praia, muitos turistas, muitas drogas e prostituição. No mês de janeiro, alta estação, o local fica repleto de pessoas a qualquer hora do dia. O </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> foi muito bem recebido pelos frequentadores do local, principalmente pelas crianças. É um costume de crianças e adolescentes que frequentam a praia ficar pulando de um píer que se prolonga do Forte de Santa Maria para o mar: pulam o dia inteiro&#8230; O </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> foi recebido como uma fonte de lazer gratuita e prazerosa, sendo cada centímetro da plataforma disputado ininterruptamente. Infelizmente, em poucos dias, sua âncora foi roubada (ou desatada) e o </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> completamente destruído. Um mergulhador, “rato de praia” do Porto, em uma conversa com alguns integrantes do GIA, falou que um dos problemas do fim da plataforma foi o mau uso que ele atribuiu às </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>crianças do subúrbio, que não sabem cuidar das coisas e vêm aqui pro nosso bairro bagunçar. </em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Isso fez o grupo refletir&#8230; Afinal, o povo não tem muita vocação para o bem público, não é mesmo? O que aconteceria se essa ação tivesse ocorrido em alguma praia do subúrbio? Uma demonstração de selvageria e barbarismos? Não seria o momento de responder a essa questão, deslocando as ações do GIA dos bairros centrais para as zonas periféricas de Salvador? Estaria o problema, realmente, nas “crianças do subúrbio”? </span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Certo dia, Pedro Marighella, integrante do GIA, foi visitar a praia de São Tomé de Paripe, ao lado da Base Naval de Aratu, subúrbio soteropolitano.</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">Por conta de depoimentos como aquele do rapaz do porto, Pedro esperava encontrar em Paripe o tal “bando de selvagens”, mas o que encontrou foi um lugar lindo </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>e pessoas tão simpáticas quanto poderiam ser em qualquer outro bairro</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">&#8230; E uma enseada perfeita pra um flutuador! Tudo isso incutiu no GIA uma enorme vontade de construir novos </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuadores</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> e vivenciar as diferentes reações do público, oriundas das suas necessidades e anseios. Essas reações, por conseguinte, se configuram em diferentes modos de lidar com bens coletivos e, numa esfera mais ampla, com a cidade. Não poderia ser a arte uma mediadora dessas possibilidades? O GIA acredita que sim.</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">A escolha dos lugares para ancorar o </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">, portanto, levanta questões bem definidas a respeito das necessidades e do uso do bem público:</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">O Porto da Barra representa o centro e a classe média, sendo foco de iniciativas ligadas ao lazer e ao turismo – verão, música, boates, calçadas bem cuidadas, carnaval oficial. (Apesar de ser foco das ações governamentais e de ser supostamente “bem frequentado”, foi justamente nessa região que o Flutuador foi destruído); </span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">A região do Unhão é uma comunidade carente, espremida e dependurada num paredão prestes a cair no mar. Existe, nesta localidade, uma carência de espaços de lazer, devido a um intenso processo de gentrificação e resistência da especulação imobiliária (apesar desses problemas, a comunidade cuidou e usufruiu do </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> de forma democrática e espontânea, sem destruir ou danificar sua estrutura); </span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">O subúrbio, por sua vez, representa a classe baixa, a “última fronteira”: local espaçado, de pouca atração imobiliária e distanciada das iniciativas mais audaciosas do Estado.</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;">…</span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">(</span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Pedro entra na fala de Ludmila</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">)</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Certamente, a manutenção ou destruição deste, ou de outro elemento, está além da questão das condições financeiras e da atenção das entidades oficiais, mas passa pela capacidade de reconhecimento do que deveríamos conceituar como “patrimônio”. Pelo que conheço, a relação de patrimônio se constrói em oposição a históricos de exploração e imposições.</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">As condições de construção e aplicação do </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> na comunidade do Unhão, por parte do GIA, foram naturais e atendiam a uma expectativa afetiva das pessoas, agregando e repassando informação&#8230; Gentil, carinhosa, atenciosa (já que as próprias pessoas da comunidade ajudaram na construção do </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>Flutuador</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">).</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR">No Porto da Barra, o flutuador era um elemento tão estrangeiro e efêmero quanto os gringos dilapidados e dilapidadores, atores do turismo irresponsável, da prostituição escrota e alvos da criatividade e lucro da malandragem. Acho que o GIA foi pego no </span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"><em>vai e vem</em></span></span><span style="color: #000000;"><span lang="pt-BR"> intenso desses ambientes, onde o bem-estar foi relegado ao “Estado” e não às “pessoas”, estas sim detentoras da sensibilidade que constrói coisas como o carnaval ou a confiança.</span></span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Às vezes, tenho uma fantasia de que toda irresponsabilidade do povo, na verdade, é uma espécie de “pirraça” a todo comportamento de dominação e a ações mantenedoras do poder constituído. Parece uma espécie de continuação das relações coloniais: “Pô, devem tá de sacanagem com a gente!” –, pensam assim vândalos que conheci. </span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Concluindo, meu querido amigo artista/interventor, esse depoimento é pra te alertar: não caia nessas armadilhas. Dispense a pressa, dê um tempo pra timidez&#8230; Só tome cuidado com a malandragem e os chatos. Quer dar uma ideia segura? Deixe de onda, não faça o trabalho por fazer. Crie relações com as pessoas, mexa com elementos significativos e afeição. Deixe essa história de arte pra lá por enquanto. Veja se a vida, às vezes, não fica melhor assim.</span></span></span></p>
<p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm" lang="pt-BR" align="justify">
<div id="sdfootnote1"><a name="sdfootnote1sym" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote1anc">1</a><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR">Atualmente, o GIA é composto por: Everton Marco Santos, Ludmila Britto, Mark Dayves, Pedro Marighella, Cristiano Píton e Tiago Ribeiro.</span></span></span></div>
<p lang="pt-BR-western" align="justify">
<div id="sdfootnote2"><a name="sdfootnote2sym" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote2anc">2</a><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR">Abdelhafid Khatib define a</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR"><em>“</em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR">psicogeografia como um estudo das leis e efeitos exatos do meio geográfico, conscientemente planejado ou não, que agem diretamente sobre o comportamento afetivo dos indivíduos”. (KHATIB, Abdelhafid. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR"><strong>Esboço de Descrição Psicogeográfica do Les Halles de Paris</strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR">. In</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em> </em></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: x-small;"><span lang="pt-BR">JACQUES, Paola Berestein. Org. Apologia da Deriva: Escritos Situacionistas sobre a Cidade. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003. p.80)</span></span></span></div>
<div id="sdfootnote3"><a name="sdfootnote3sym" href="http://revistatatui.com/wp-admin/#sdfootnote3anc">3</a> BAY, Hakim. <strong>TAZ: </strong>Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad, 2001. p.26.</div>
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