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	<title>Revista Tatuí &#187; Arthur Barrio</title>
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		<title>Que relações você percebe entre arte e coerência?</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 07:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arthur Barrio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatuí 4]]></category>

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BARRIO.                                         A CERTEZA de que o trabalho,
passado o estágio mental/reflexivo não depende
mais do processo físico/criativo,e é dado como terminado
no tocante à minha participação&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..
[Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2008]
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<p><strong>BARRIO</strong>.                                         A CERTEZA de que o trabalho,</p>
<p align="center">passado o estágio mental/reflexivo não depende</p>
<p align="center">mais do processo físico/criativo,e é dado como terminado</p>
<p align="center">no tocante à minha participação&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..</p>
<p align="right">[Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2008]</p>
<p><strong>CLARISSA.</strong><em> </em>Essa sua posição de &#8220;lavar as mãos&#8221; diante da interpretação/recepção de seus trabalhos é bem pertinente para que entendamos a ‘coerência’ que, em última instância, é domínio do olhar alheio, e não nosso.</p>
<p><strong>BARRIO.</strong> Pitagoricamente, diria que o espectador faz a obra, já que o centro é determinante e susceptível à crítica do entorno ao contrário do não situar-se desse ou desses mesmos espectadores em relação às &#8220;Situações&#8221;. Daí o surgimento de que &#8220;o espectador não faz a obra&#8221;.</p>
<p><strong>CLARISSA.</strong> Esse jogo de forças entre o espectador e a obra – entre o centro e o entorno, como você colocou – se faz muito pertinente também quando consideramos o espectador não como público genérico, mas, especificamente, sobretudo como o próprio sistema da arte (toda a articulação entre exposições, curadores, críticos, galerias, bienais, mídia etc). Assim, tomando o sistema como o espectador que faz ou não a obra, como ficamos?</p>
<p>Talvez percebamos aí ainda mais interdependência do que quando analisamos o espectador como passível de &#8220;fazer a obra&#8221; apenas com suas colocações de sentido, de significações surgidas em seu olhar/participação.</p>
<p>Tem uma ideia de que gosto muito, e que diz que &#8220;é preciso ser dependente para ser autônomo&#8221; (Edgar Morin). É uma concepção de grande complexidade, e faz com que fujamos do duopólio obra-espectador que normalmente ainda nos guia. Você, a meu ver, faz isso em seu comentário anterior ao analisar simultaneamente o espectador como capaz e incapaz de fazer a obra.</p>
<p>No entanto, acho também que o pensamento de interdependência é por demais ideologicamente (politicamente) ameno, já que aposta na idéia de cooperação sem levar em conta os embates – e violências, truculências – competitivas. Como acredito que a arte deve/pode ter papel político de desestabilização inclusive de seu próprio sistema social (o sistema da arte), fico pensando que a relação entre centro/obra e entorno/espectador/sistema se dá majoritariamente por um jogo de forças políticas/econômicas do que semânticas.</p>
<p>Imagino que você, que se põe a navegar por aí, deve encarar isso na pele&#8230;</p>
<p><strong>BARRIO.</strong> A minha relação é com a Arte, com o momento da criação e conseqüente ruptura dos limites inerentes a esse momento,&#8230;&#8230;.no que toca à questão espectador/entorno é algo que não me interessa o que não quer dizer que já não tenha sido do meu interesse em situações anteriores.</p>
<p>Quanto a Edgar Morin, de que &#8220;é preciso ser dependente para ser autônomo&#8221;, estou de acordo, mas dentro de um estágio de tempo limitado aos processos iniciais, diria que em nossa condição isso é extremamente evidente sendo que essa autonomia encontra a sua maior força no gesto artístico que por si só é político, mas não determinante ou determinador de uma Arte política, mas simplesmente Arte, que por si só é política/etc., ou está a ser ou já foi criado, um novo &#8220;ismo&#8221;? Um modelo/forma de fazer Arte política? Uma &#8220;outra arte acadêmica&#8221;?</p>
<p>A verdadeira Arte sempre foi política; ou o &#8220;homem&#8221; não é um animal político?</p>
<p>Já que citou E. Morin, a quem admiro, gostaria de citar F.Nietzsche com &#8220;A origem da tragédia&#8221;.</p>
<p><strong>CLARISSA.</strong> Pois é, “parece” que foi inclusive o animal homem que inventou a política&#8230;!</p>
<p>É o homem o animal que talvez mais precise ser dependente para ser autônomo, o que poderia revelar que, à luz do que você falou, estaria nossa humanidade limitada ainda a seus processos iniciais? – ainda pele, não já couro?</p>
<p>Me intriga ouvir de tantos que sua arte agora são suas viagens, seus mergulhos. São?</p>
<p>Faz sentido sobretudo diante de seu desejo de romper os limites inerentes à criação, intenção com a qual, certamente, compartilhamos muitos de nós, humanos, artistas, ou não&#8230;</p>
<p><strong>BARRIO.</strong> Sim a humanidade inventou tudo, inclusive a política.</p>
<p>Não pensei na humanidade, mas somente numa ínfima partícula que é o artista que sou e produziu o que produziu,&#8230;&#8230;&#8230; !</p>
<p>Quanto à humanidade, apesar de acreditar profundamente no ser humano, penso que o número dos mesmos não pára de aumentar nesse delírio/carnal/explosivo/demográfico&#8230;&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;.somos nove bilhões. Os problemas de base dessa mesma humanidade continuam a ser sempre os mesmos&#8230;.</p>
<p>&#8230;.,há progressos,sim, mas quantos retrocessos!</p>
<p>É difícil sair da caverna, a luz elétrica foi inventada há tão pouco tempo, a metralhadora primeiro que a máquina de escrever, etc. , além do efeito-elástico em relação à Idade Média.</p>
<p>Não sou otimista.</p>
<p>A minha arte, hoje, não é os mergulhos submarinos ou a navegação, continuo isso sim os associando, em alguns poucos casos, ao meu trabalho. A minha ideia era e ainda é que a partir dessas experiências possa tirar algo que acrescente e dê outro rumo ao meu trabalho, o que espero aconteça.</p>
<p>Em 15 de Maio de 2009 inaugurarei uma mostra na parte subterrânea do M.A.C. de Serralves/Porto/Portugal,&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.intitulada ADEUS PORTUGAL.</p>
<p>&#8230;..gostaria de apresentar um trabalho que tivesse uma relação forte com essa fusão de experiências e não registros disso ou daquilo,&#8230;tenho algumas ideias,tentarei e caso não o consiga, o trabalho voltará a ser o que sempre foi nestes últimos anos o que para mim transformou-se em algo imbuído de uma certa monotonia devido ao uso dos mesmos materiais, abrir buracos/escarificações nas paredes,etc. / Veremos.</p>
<p><strong>CLARISSA.</strong> Foi ótimo ouvir de você essas palavras a respeito de seu trabalho, e das expectativas que você tem em relação à inserção do ambiente e dos processos do mergulho, do mar, no mesmo. Não é fácil incorporar à arte essas experiências, sobretudo quando a produção contemporânea em arte parece cada vez mais autocentrada e metalinguística.</p>
<p>Também gosto de ver sua ideia de que o mesmo procedimento criativo deixa a produção monótona. É essa uma das discussões que estamos levantando na revista Tatuí sobre coerência – para a qual vai o seu depoimento. Interessa-nos muito pensar como é que os artistas lidam com a repetição (que pode ser vista por uma perspectiva essencialista) e com o método na arte. Identificamos muita produção que se assemelha a um passo-a-passo extremamente metódico e metodológico e, diante de uma concepção mais visceral/catártica/expressiva da arte, tais concepções são um grande ruído. É isso que nos atrai na discussão&#8230;</p>
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