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	<title>Revista Tatuí &#187; Alê Carvalho</title>
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		<title>Balançamdores</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 00:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alê Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tatuí 3]]></category>

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		<description><![CDATA[E no meio da praça&#8230; um artista pôs um balanço, um balanço&#8230; foi posto pelo artista no meio da praça&#8230; o balanço mudou o dia; e o balanço mesmo se modificou&#8230; e balançou para frente e para trás a dor&#8230; a dor então esvaneceu-se por um instante&#8230; solto no alto, o ar adocicou pelo vento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E no meio da praça&#8230; um artista pôs um balanço, um balanço&#8230; foi posto pelo artista no meio da praça&#8230; o balanço mudou o dia; e o balanço mesmo se modificou&#8230; e balançou para frente e para trás a dor&#8230; a dor então esvaneceu-se por um instante&#8230; solto no alto, o ar adocicou pelo vento batendo na face, apaziguando a dor e o balanço já não era agora só balanço&#8230; tornou-se “balançadores.”</p>
<p>Balançadores&#8230; metros de corda, pedaços de pau, cobertos de tinta e palavras, palavra e poesia escrita por Manuel Bandeira que de outrora se atualiza no agora, poesia de amor e rima&#8230;. a rima que fala&#8230; e fala de dor&#8230; no centro pulsando e as pessoas passando, todas elas, fora delas, todas elas esquecidas. O rosto é tão estranho, de um, de outro, de todos na curiosidade de olhar para aquele balanço. A brincadeira de infante dada como presente ao adulto maltratado, pelos dias de tantos anos balançou&#8230; e balançou&#8230; foi lá no alto, esquecendo nem que brevemente sua dor&#8230; por que essa sempre volta para o presente como o peso do corpo por sobre o pé que pisa o chão.</p>
<p>E assim para frente e para trás o homem quis ser menino novamente, a mulher que sofre, àquela que é de todos e de nenhum, dos que passam esquecidos, pública e invadida na vida difícil sorriu&#8230; sorriu na ausência de seus dentes&#8230; esperou e perguntou pelo tempo que teria para embalar a sua dor, levantou as pernas, deu o impulso, subiu&#8230; e ventre corrompido esfriou na descida do balançador e ela sentiu-se de novo ela, toda ela de novo, pessoa que é&#8230; coisa humana&#8230; com um pouco menos de dor, por um breve instante sentada, divertida num balanço que era um gesto de arte, carregando para lá e para  cá a mulher no que agora muito mais era um gesto de amor, o amor balançado no galho da árvore, da árvore onde se balança a dor, brincado no balançador&#8230; e tudo termina e começa assim&#8230; com meio da praça&#8230; onde um artista pôs um balanço, em um balanço&#8230; que foi posto pelo artista no meio da praça&#8230;</p>
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